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22/05/2020

Seminovos tendem a valorizar durante atual cenário de crise

A pandemia do novo coronavírus não afetou somente os números de produção e emplacamentos da indústria automotiva. Toda a cadeia do setor foi impactada com a inédita queda observada desde o início da crise, e os preços praticados do mercado também podem servir como termômetro para entender o contexto que vivemos.

Como especialista em precificação de veículos, a Kelley Blue Book Brasil divulga uma ampla análise de variação de preço de carros 0 km e seminovos com até 2 anos de uso. O estudo abrange a variação diária de preços dos últimos 45 dias, ou seja, de 14 de março a 30 de abril, representando a última quinzena antes das medidas restritivas de circulação até o final de abril. Ao total, coletamos informações de 22.440 versões, divididos em 10 categorias, para apresentar tendências com base nas amostras que sofreram variações no período.

Nas tabelas abaixo, destacamos 3 das principais categorias de automóveis e de comerciais leves para exemplificar que, de maneira geral, nota-se que há tendência de valorização de carros seminovos com até 2 anos de uso no mercado, quando tomamos como exemplo o movimento percebido em abril (primeiro mês inteiro com medidas de restrição econômica e distanciamento físico).

 

As porcentagens que você vê na tabela correspondem às médias obtidas por cada categoria nos três períodos que formam os 45 dias analisados. Para exemplificar melhor a tendência de alta entre veículos seminovos, há modelos com variações consideravelmente acima da média. É o caso do Ford Ka SE Plus 1.0 2018, que obteve 10% de aumento em abril, e do Chevrolet Onix Plus LTZ 1.0 Turbo AT6, que teve acréscimo de 27% no último mês. Há outros exemplos de veículos outliers (fora da média) no estudo.

 

Entre os automóveis, esta tendência de valorização pode ser explicada pelo possível movimento de consumidores que estavam preparados para adquirir carros 0 km, mas, com a crise, estão mais cautelosos com o orçamento. Logo, modelos seminovos, com maior apelo entre custo e benefício, tornam-se mais vantajosos. Com esta maior demanda por eles, pode haver maior disponibilidade de crédito, abrindo oportunidade para lojistas recuperarem rentabilidade durante a crise.

Enquanto isso, como também observamos, veículos mais velhos (com 4 anos de uso ou mais) acabam sendo liquidados com maior depreciação para cumprir com obrigações de caixa. Ou seja, sofreram, em geral, variações negativas de preço neste período.

Além disso, no caso dos seminovos de 2 anos que compartilham geração com os modelos 0 km, o aumento de preços destes últimos sempre tende a elevar os preços dos seminovos, fenômeno observado independentemente do contexto de pandemia.

Falando especificamente dos comerciais leves -- furgões e minibus -- a tendência de alta também pode ser explicada pela demanda de serviços de logística e entrega, que conseguem, até certa medida, continuar funcionando normalmente em meio a pandemia.

Em relação aos modelos 0 km, a tendência é a de que os preços aumentem, pois grande parte da cadeia de fornecimento da indústria é cotada em dólar e a moeda americana está perto do patamar dos R$ 6,00. Observações preliminares da KBB Brasil em maio já indicam forte acréscimo nos valores dos 0 km, já que será inevitável, neste momento, repassar a elevação dos custos de produção ao preço final para o consumidor.

Porém, nesta primeira fase da pandemia, observamos que algumas montadoras e concessionárias conseguiram aplicar descontos em estoque adquiridos pré-crise (numa tentativa de manter as vendas aquecidas), o que acabou depreciando os valores de alguns modelos 0 km durante o período analisado até o final de abril.

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